Será que o xadrez é um esporte em que os homens são superiores as mulheres?

Essa é uma pergunta que abrange muito mais do que o espaço físico do tabuleiro, nos coloca em xeque várias questões culturais, históricas e sociais que é alimentada até hoje. O próprio preconceito é visto entre as jogadoras que, por estarem inseridas num ambiente predominantemente masculino, desacreditam em seu próprio potencial. Outro fator de análise é o fato de existir um número muito reduzido de mulheres no jogo, algo que nos faz pensar, se existe um número tão reduzido de mulheres e ainda assim algumas atingem níveis surpreendentes, o que aconteceria se o jogo fosse mais divulgado entre elas e passasse a ter um número equivalente de jogadores de ambos os sexos? Acredito que as mulheres tem sim um potencial equivalente ao dos homens, o que diferencia é o empenho de cada um. O xadrez é um esporte sem distinção de gênero.

As mulheres sempre tiveram uma participação muito ativa no xadrez, como na sua criação várias fábulas sugerem que elas foram as responsáveis, como na lenda em que diz que a mãe do Rei Gav solicitou, de modo a provar que este não havia provocado a morte do irmão Talhend durante uma batalha, que ela fosse reconstituída sobre o tabuleiro.

Grandes mulheres deixaram a sua marca no xadrez e mostraram ao mundo que poderiam jogar de igual pra igual até com os melhores jogadores homens. Caso da brilhante Vera Menchik, da Liudmila Rudenko, Elizabetha Bikova , Olga Rubstova, Nona Gaprindashvili, Maya Chiburdanidze, Xie Jun e as irmãs Polgár. Duas em especial chamam muita a atenção pelo nível técnico surpreendente que foi o caso da Vera menchik e da Judit Polgár. Uma breve passagem pela proeza dessas famosas jogadoras.

VERA MENCHIK

O Campeonato Mundial Feminino surgiu em Londres em 1927. A primeira campeã foi Vera Menchik, nascida em 16 de fevereiro de 1906 em Moscou, filha de mãe inglesa e pai Tchecoslovaco. Inaugurou o título de campeã e o manteve até a sua morte, em 27 de junho de 1944, ao explodir uma bomba alemã em sua residência em Londres. Ganhou os nove campeonatos mundiais disputados entre 1927 e 1939. A II Guerra Mundial a impediu de ser campeã 10 vezes ou mais… e lhe tirou a vida. Vera foi a primeira mulher com força de mestre e capaz de disputar de igual para igual com os homens. “É a única mulher que joga como os homens”, disse dela Capablanca.

Para se ter mais uma noção do poderio de Vera em 1929 foi criado  o famoso Clube Vera Menchik. Em que consiste? O austríaco Albert Becker, um dos participantes, declarou, com ironia, antes de começar o torneio: “Proponho abrir o Clube Vera Menchik, do qual serão membros os mestres derrotados pela campeã feminina”. Curiosamente, o primeiro membro do Clube foi aquele homem que duvidara da força enxadrística de Vera, o mesmo teórico vienense Albert Becker. Também nesse torneio, ingressou no clube Saemisch. Com o tempo, o Clube Vera Menchik cresceu com nomes prestigiosos do xadrez: Reshevsky, Sir George Thomas (o qual perdeu a partida que podemos considerar como A Imortal de Menchik), Colle, Golombek, Yates… Dizem que o presidente do Clube é Max Euwe, quem depois de “se filiar” foi campeão mundial. E, contam que depois de sucumbir ante Menchik em Hastings de 1931-32, Sultan Khan não se atreveu, durante dois anos, a regressar ao Paquistão, por temer as gozações.

JUDIT POLGÁR

Começou a jogar xadrez com cinco anos de idade. Em 1988, tornou-se a primeira mulher a vencer o campeonato mundial para menores de 12 anos. Na mesma época ganhou a medalha olímpica com a irmã Susan (Zsuzsa), feito repetido dois anos depois, naOlimpíada de 1990.

Aos 15 anos, Judit bateu o recorde de Bobby Fischer, ao tornar-se a mais jovem Grande Mestre Internacional da história. E em 1993, com apenas 17 anos, venceu o ex-campeão mundial Boris Spassky por 5 ½ – 4 ½, em uma série de 10 partidas. É, portanto, uma jogadora extremamente precoce.

Líder do ranking feminino desde 1988, Judit iniciou então uma ascensão fulminante que a levou a estar entre os 10 melhores jogadores do mundo.

Certa vez, o número 1 do xadrez mundial Garry Kasparov dissera que poderia jogar contra qualquer mulher do mundo, dando uma vantagem material de um cavalo, que mesmo assim ganharia a partida. Depois do aparecimento de Judit Polgar, Kasparov já não afirma mais o mesmo. Após um movimento de peças questionável, Kasparov venceu Polgar em 1994 mas foi derrotado por ela em 2002.

Portanto é inquestionável o mérito e as habilidades das mulheres no xadrez. Tudo é uma questão de preparo. Elas mostraram que são capazes e que podem crescer ainda mais.

“Uma partida de xadrez se assemelha a uma mulher: cada qual a super estima ou a menospreza, porém ninguém é capaz de julgá-la fria e objetivamente.” – Ruben Fine

fontes: http://www.tabuleirodexadrez.com.br/xadrez-feminino.htm

               http://pt.wikipedia.org/wiki/Xadrez_e_mulheres

               http://xadrezfemininobrasil.blogspot.com/2008/04/mulheres-no-xadrez.html

               http://pt.wikipedia.org/wiki/Judit_Polg%C3%A1r